
Pelo céu reluzente,
Voas deslizando
Por entre o vento.
Num voo plano,
Atinges uma velocidade
Impossível de alcançar.
«Pomba Branca»
Voas atrás
De algo indispensável.
Sendo o teu símbolo
A paz.
Procuras através do céu
A calma que representas.
Quando passas és vista
Como um sonho,
Sendo uma causa idealista
Aquela que queres passar.
Bem que tentas tornar
O mundo mais calmo,
Mas parece em vão!
Ao olhares para baixo,
A tua causa se recolhe,
Porque são muitas as evidências
Que comprovam
O contraste com que se defronta
A racionalidade da tua essência.
Mas qual é a diferença
Entre o que simbolizas,
E o que vês cá em baixo?
Foi num voo razante,
Que viste quais são
As diferenças,
Sendo uma visão de dor.
«Angustias, libertavam medos.
Dores, originavam ferozes ruídos.
Corpos, davam origem a um
Cemitério a céu aberto.
Bombas, mutilavam corações.
Sangue, levava nele
Impetuoso cenário.
Balas, penetravam na mente,
Quebrando a ligação
Com a vida...»
É assim descrito
O contraste,
A que te referes.
Ficaste aterrorizada
Com tamanha barbaridade,
Com tão sanguinário
Que foi o período
Em que desceste.
«Pomba Branca»,
Para onde vais tu agora?
Sem me responderes,
Vejo-te a ir embora,
Desaparecendo
No infinito.