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domingo, dezembro 31, 2006

A beleza da mulher


A beleza da mulher
Está no seu interior.
Na sua alma perdura
A sua boniteza
Que imerge na pureza.
Por vezes o corpo esconde isso,
Impedindo-a de ser feliz.
Há sempre alguém
Que deixa que o corpo
O iluda
E por vezes o seu interior
Não é descoberto,
É ignorado sem razão.
O corpo é só uma ilusão!
É injusto,
Ninguém ver além
De um pedaço de pecado,
Porque no fundo da sua alma
É que está guardado
O lado encantado
De cada mulher.
A beleza interior
É superior
Ao desejo sem pudor.
Dentro de si
Está algo tão lindo
Que só nela descobri.
Aquela doçura no olhar
Derrete qualquer coração.
Toda a mulher desperta sedução.
Só não podes fechar
O teu coração.
- Mulher,
És preciosa demais
Para te deixares rebaixar
Pelos caprichos do Homem.
O que seríamos nós
Sem ti?
Nem quero imaginar
É melhor este poema terminar,
Mas tenta sempre sorrir,Só o teu sorriso nos pode conduzir...

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Liberdade sem limites



A Liberdade do Homem é sem limites.
É livre no que faz,
Ao ponto de não optar pela paz.
Prefere a Guerra,
Que o impede de viver.
Escolhe as armas
E dita livremente a sentença.
Julga pelas próprias mãos,
Deixando viver os maus.
Vidas inocentes desta maneira fenecem,
Muitas crianças padecem
Por causa de uma bala,
Ou de uma bomba
Que fez seus pais indeferirem
A dádiva de Deus.
«A vida!»

Homem,
A tua Liberdade é sem limites
Porque resignaste
Dos ensinamentos da Cristandade.
Desde há muitos anos
Que a tua doutrina
Se chama «Crueldade».
Sem regozijo nenhum
Eu sou um,
Ou mais um
A não contemplar
Essa tua nova religião,
Por parecer mais uma reclusão.
O vosso adestramento
É demasiado violento
Para eu participar nele.
Afasto-me precipitadamente,
Não te vejo como gente!

É mesmo uma Liberdade sem limites,
Ages sem nenhuma formalidade.
Ultrapassas cada condicionalismo
Conduzindo este Mundo
Ao abismo.
(Por favor, interpreta este poema
Como uma admoestação.
Pára por um instante
E ouve teu «coração»).

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Merecer




Todo ser merece viver,
Tem o direito de deixar
A sua assinatura
Depois de falecer.
Quando isto não perdura,
É, porque alguém preferiu esquecer
Aquele que já partiu.
Quebrando assim a ligação,
Que já não se mantém
Através de uma recordação.

Cada ser merece caminhar
Por esta vida,
Sem temer a partida
Por parte alheia.
Há sempre alguém que semeia
Sementes que enfraquecem
O próximo.
Deve ser, porque enlouquecem
E matam-no sem explicação,
Dizendo que isso foi um pedido
Do seu Senhor. Do seu Deus.
- «Pôde Ele pedir tal coisa?»

Nenhum ser deve receber carinho
Em doses desiguais.
Um coração cheio de espinhos
Não lhe ofereças mais,
Porque ele merece conforto.
Guia-o até ao porto,
Não o deixes à deriva no mar.

Todo ser merece viver abrigado,
Porque esse direito lhe foi consagrado
Quando na barriga
Ficou os noves meses
Aos cuidados da sua mãe.
Inibido de qualquer perigo
Desenvolveu-se nesse abrigo.

Cada ser merece uma mãe,
Da mesma forma um pai.
Nenhum dos dois o deve
Deixar, por ter uma influência
Grande no seu crescimento.
Essa carência
Será lembrada em cada momento.
Isso será como uma cicatriz,
Jamais será um ser feliz.

- «Escrevi este poema no geral,
Mas sofro desse mal.
Em pequeno fui abandonado
Pelo meu pai.
Não o julgo por ainda ser
Adolescente e não saber
O significado dessa palavra.
Também o meio em que vivia
Contribuiu para essa anomalia.
Mas aqui estou eu sem pai,
Ele pode não merecer
Este ser que está a escrever…
- «E eu não mereço um pai?»

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Sozinho em casa




«Enquanto aquecia o café
Senti vontade em escrever.
Não sabia ao certo o que dizer,
Mas a folha queria apaziguar
Aquilo que me estava a magoar.
Que me estava a inquietar.»

- Estou sozinho em casa,
Sozinho com meus pensamentos,
Com meus tormentos.
O meu pensamento está virado
Para aquelas crianças
Que passam fome e frio.
Eu aqui em casa agasalhado,
Mas alguém pôde estar
Sozinha na rua.
Não me consigo animar,
Porque a culpa não é sua,
Se está ao relento!

Além de estar congelada,
Também pôde estar com fome.
Tanta comida é desperdiçada
E ela nem sequer um pão come.
As pessoas passam por ela,
Mas como são muito ocupadas
Nem sequer reparam nela.
Tanta roupa é deitada fora,
Mas nem esse gesto de caridade
As pessoas fazem.
Tanta soberba
No coração delas é encontrada,
Que me dá vontade de chorar.
Ao sua barriga a roncar,
Só me apetece gritar:
- «Acordem, acordem...
Este ser indefeso
Precisa de ajuda!
Para quê tanto desprezo
Se podia ser teu filho?»
Não interessa a cor,
Ou a sua religião.
Qualquer criança tem direito à adopção,
A uma segunda oportunidade.
É de carne e osso
Como qualquer outra,
Dentro de mim
Não há nenhuma distinção.

O meu tormento
É que se avizinha o Natal
E nesse momento especial
Alguma criança pôde estar
À procura de um lar.
Não sente aquela harmonia,
Nesse momento de alegria.
O que é fantasia,
Vira escuridão.
«O que vocês
Sentem no coração?»
Se sentissem alguma coisa
Lhe davam a mão
E ela agradecia com um sorriso.
Um gesto como esse
É o que é preciso
Numa época como esta.
Para este Natal
Ser igual em todo o lado.

- «Da minha parte,
Sem excepção
Deixo aqui os votos
De um Feliz Natal
E um próspero Ano Novo.»

sábado, novembro 25, 2006

Torre de Menagem(Braga)



Ao seu cimo eu subi,
Mas antes pelas escadas eu vi
O que realmente se passava,
Onde realmente estava.
Muito desespero imaginei,
Tensão e lágrimas secas encontrei
Enquanto vagarosamente subia.
Medo em cada escada sentia.

Sofrimento, é a palavra capaz de descrever
Aquilo que fracamente estava a ver.
Do seu cimo vi cá em baixo tristeza,
Perdia-se no olhar da incerteza.
Um cenário de guerra ali foi criado,
O massacre tinha começado.

«Soldados furiosamente avançavam.
Obstáculos não encontravam,
Porque arrasavam
Com tudo, por onde passavam.
Pessoas mortas no chão,
Gotas de sangue espalhadas
Como migalhas de pão.
Vidas assim foram tiradas,
Cruelmente assassinadas.
No final vi corpos deformados,
Com alguns dos seus membros cortados.»

Não acreditava naquilo que lá de cima via,
Com isso, sinceramente, sofria.
Foi o que imaginei,
Quando a torre fixei.

sábado, novembro 18, 2006

Recomeço




Enquanto passeava
Uma criança sozinha encontrei,
Por que chorava?
Eu lhe perguntei.

«Respondeu-me que chora
Por ter sido abandonada.
Cresceu numa família
Que não lhe dava carinho.
Ninguém se preocupava com ela,
Toda a gente vivia
Afastada dela
Mesmo estando em casa.
Os pais não queriam perder tempo
Em dar-lhe atenção,
Por dedicarem cada segundo
À sua profissão.
Quando chegava da escola,
Raramente via o pai.
A mãe estava lá,
Mas ocupada ela sempre está.»

Contou-me que ela até compreendia
O facto de os pais terem de trabalhar,
Para ganharem dinheiro
E poderem-lhe dar
Tudo o que queria.
Ela chegou-me a perguntar:
«Eu não sou mais importante
Que o dinheiro?»
Disse-me também,
Que uma vida não tem preço,
Que preferia ser pobre,
Mas ter os pais do seu lado.
Que adiantava para ela viver no luxo,
Se aquilo que realmente precisava
Era de graça e não tinha?
Em qualquer altura podia ser dado!
O carinho
Era o único bem
De que verdadeiramente necessitava.

Olhou para mim a chorar
E confessou-me
Que se fosse possível trocava
Tudo o que os pais lhe davam
Por pequenas doses de carinho.
«Dizem que tenho de fazer esse sacrifício,
Mas será que é necessário?
Sou a pessoa mais infeliz do Mundo,
Porque falta-me o essencial.»

Enquanto ela desabafava,
Eu olhei para o céu
E reparei numa estrela que brilhava.
Tinha um brilho diferente,
Como se tivesse uma alma presente.
Ao ouvir aquela criança,
Em que eu concordava com tudo o que dizia,
Senti que tinha de fazer alguma coisa.
Olhei para ela,
Depois para a estrela,
Fechei os olhos
E em pensamento subi até ela.
Perto dela,
Percebi que nela
Havia algo especial.
Peguei nela,
Ao descer à Terra
Entreguei-a àquele ser sem carinho
E ela desejou que a sua vida
Fosse completamente diferente.

«Se foi milagre, eu não sei,
Mas encontrei essa mesma criança
No colo da sua mãe,
Com o seu pai
Ao seu lado.
Vi o quanto ela agora
Era feliz.
Era carinho o que ela mais queria
E eu dei-lho através da poesia».

Vocês,
Podem-no dar
Na realidade.
O filho necessita
De muita atenção,
Não sentem isso no coração?
Não se esqueçam que o filhos
Não têm culpa,
Porque não pedem para nascer.
Obrigado,
Por me dedicarem algum do vosso tempo,
Espero que também façam
Isso com os vossos filhos.

quinta-feira, novembro 16, 2006

Imprevisto




Vinha eu das aulas
Um bocado triste,
Também estava desanimado
Por estar a chover.
Da chuva tu saíste,
E por um raio fui iluminado.
O teu olhar fez brilhar
Aquele momento.
Adorei relembrar
O bom que é te encontrar.
Não cai no esquecimento
Nenhum dos nossos encontros.

Quando estava perto de ti,
Eu depressa esqueci
Que estava molhado
Por causa da chuva.
Do teu lado,
Apenas pensei
Em aproveitar
Esse imprevisto.

Como andava contigo no pensamento
Desde o outro dia que te vi,
Senti
Que a minha saudade se dissipava
Quando meu olhar com o teu cruzava.
Tão bom estares de novo comigo,
Senti de novo o verdadeiro significado
Da palavra amigo.
Gosto muito da nossa amizade,
Será que isso é algum sinal?
Não quero a resposta,
Só espero conversar mais vezes…

Encontrei-te através de um imprevisto,
Talvez seja mais que uma coincidência isto.
Não sei como alguém te consegue fazer mal,
Eu era incapaz de te magoar.
Se o fiz,
Peço desculpa.
Quero ver-te novamente,
Ver-te sorridente,
Tão bom encontrar-te contente,
Porque estou no meu outro Mundo
Contigo presente.

sábado, novembro 11, 2006

Sou um perdedor



Por mais que tente fugir
A tua imagem me persegue.
Isso consegue-me atingir,
Porque fica à espera que me entregue.

Caio no teu carinho,
Sou teu vizinho
Porque corro para perto de ti.
Começo a minha viagem aqui.

O teu consolo não posso prescindir,
Ao incidir
Com o teu ser
Vou acabar por perder.

Sou fraco, e acabas por vencer.
O meu desejo
Acabou de me enfraquecer
E dei-te um beijo.

Foi aí que acordei,
Na realidade não te encontrei.
Tanto eu chorei,
Tantas lágrimas derramei.

Mais uma vez escapaste,
Num perdedor me tornaste.
Mas disso não me canso,
Na tua magnificência descanso.

A matiz
Da tua figura
É a cura
Que me deixa feliz.

Foi no teu sorriso
Que encontrei um aviso,
«Para ser paciente
E ficarei contigo novamente.»

Aquele momento mavioso
Faz-me acreditar no amor.
Sei que foi precioso,
Mas sou um perdedor.

Não vou lutar mais,
Vou deixar de ser maleável.
Já sofri demais
E este caminho não é fiável,
Porque sou um perdedor.

quinta-feira, novembro 02, 2006

Ainda me dói


Já passou algum tempo
Desde que deixaste de existir.
Sem eu saber
Decidiste fugir.
Fugiste desta vida
Para ocupar
O teu lugar no céu.
Nesse dia foi definida
A tua ausência,
Deixando-me a lembrança
Da tua vivência
Neste Mundo alugado.
Coitado
De mim,
Que fiquei sem ti.

«- Deus,
Achas que é justo
Deixares-me construir esta relação,
Para depois não te preocupares em quebrá-la
Sem nenhuma explicação,
Sem nenhuma condenação?
Criei este lindo laço
Com a minha avó,
Quando menos esperava
O seu nome na lista estava
E ela já viajava…
Na longa viagem caminhava,
Ao saber disso
Meu coração parou,
Meu ser lágrimas de sangue derramou.
Uma ferida que não cicatrizou,
Porque ainda me dói.»

Os dias perderam a cor.
De que me vale sentir rancor?
É ruim não poder fazer nada.
Vivo e caminho,
Por te sentir do meu lado.
Sei que sou protegido
Pela sua bondade.
A tua morte foi uma fatalidade,
Parece que Deus
Tinha necessidade
Da tua presença.
Não vejo «bom senso»
Na sua decisão,
Porque levou-te da minha realidade.

«- Deus,
Por que é que criámos
Elos de amizade,
Se tu os quebras?
Por que é que valorizámos a união,
Se tu és Pai
Da desunião?
Por que é que eu
Faço estas perguntas
Se tu fazes tudo em silêncio?
Não sei se estas perguntas
São aceites,
Mas é a sua falta
Que me faz questionar.
O tempo não pára de passar,
Mas sua ausência ainda me dói.»

«- Avó,
Protege-me do mal.
A tua bênção é vital
No meu percurso.
Sigo como o curso
De um rio,
Quer cheio, quer vazio.
Agora vai sem água,
Porque a minha avó faleceu,
Como eu não a esqueci
Isto ainda me dói».

sábado, outubro 21, 2006

Suicidio




Todo o ser que nasce
Luta bravamente
Para sobreviver,
Raramente
Ele pensa que vai morrer.
Leva a sua vida
Com garra e determinação,
Tentando
Afastar de si o chamamento
Que o quer levar
Pelos caminhos da escuridão.
A sua existência
Torna-se uma luta constante
Para manter intacta
A sua vivência,
A sua aparência.

Durante longos anos
Preocupa-se mais
Com a sua vida,
Em fugir sempre
Da hora da sua partida.
A sensação de caminhar livremente
Pelo seu espaço
Dá-lhe uma força vigorosa.
Acredita piamente
Na sua liberdade
Esquecendo-se que este Mundo
Não é Nosso,
Que apenas alugámos
Por um período de tempo
Um lugar nesta «obra inacabada
Que Deus iniciou.»

Sentido-se a mais nesta
Amostra que vai «desde o nascimento
Até à morte»,
Planeia suicidar-se.
Isso não passa de um plano indefinido,
Quando tem receio a executá-lo.
Ao pensar nos outros,
No tanto que batalhou
Para viver,
Percebe que o suicídio
Não é a solução.
O certo e normal, é lutar para sobreviver
E não sofrer
Para morrer,
Fugindo,
Sendo um pouco cobarde.
Mas nunca é tarde,
Tem sempre a possibilidade
De recuar desse passo maligno.
Se as pessoas mais próximas
Já sofrem quando um familiar falece,
O que sentirão elas
Ao saberem que aquele
Ente suicidou-se?

Talvez isto para algumas
Pessoas não faça sentido,
Se pensarem que morremos
Independentemente se nos suicidarmos
Ou não,
Só que ao longo dos anos percebemos
Que não vivemos
Só por viver.

«Eu próprio percebi isso,
Por causa disso
É que ainda permaneço aqui.
A minha vida
Parte daqui,
Disto que com seriedade escrevi.»

sexta-feira, outubro 20, 2006

Eu, o Poeta



Há uns anos atrás,
No tempo em que vivia
Na aldeia onde cresci
O Poeta deu-me
Os primeiros sinais.
Lembro-me de procurar poemas
Nos manuais
Da escola.
Jamais pude prever
Que ele estivesse a nascer
E já dentro de mim
Começasse a crescer.

Libertou-se definitivamente
Quando numa aula
Escreveu o seu primeiro poema.
Era um poema simples,
“A vida”, foi o seu tema.
Desde esse dia começou
A escrever,
A cada poema
Fico a conhecer
Ainda melhor o Poeta.

No tempo em que se mudou
Para a cidade,
Encontrou
A sua liberdade
Nas letras que escreve.
Uma grande mudança
A minha vida teve,
Porque comecei a ver
O Mundo, a enxergar as coisas...
Outrora olhava para elas
E pensava que estava
Tudo bem,
Ou não me questionava
Sobre certas coisas
Que acontecem,
Mas agora essa ideia mudou.
A poesia
O Mundo me mostrou.

Sei que Eu e o Poeta
Somos um só.
Um não vive sem o outro,
Estamos sempre ligados.
Não podemos ser separados,
Porque Eu não sou
Nada sem o Poeta.
E ele não é nada
Sem mim.
Um elo forte nos une
Sendo imune
A qualquer coisa.
É eterna a nossa união!
O nosso fruto nasce no coração
E é saboreado
Em cada verso,
Mas só se a mensagem
For interpretada.

Eu sou o Poeta
Que escreveu este poema.
Escrevo-os todos com amor,
Todos têm o mesmo sabor.
As pessoas têm de saborear bem
Para saberem o que se esconde,
Ou qual foi a semente que fez
O poema germinar.
Não vou deixar de escrever
Por ser sempre pura
A semente que semeio.
O leitor com certeza
Há-de colher
De bom agrado os meus frutos,
Por serem todos cultivados,
Tratados
Com amor.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Uso o lápis...





Para passar cada poema
Repleto de sentimento
Para a folha de papel.
Desta forma tento
Esvaziar o meu ser
De preocupações,
Esquecendo as situações
Por que passo...

Uso o lápis
Desabafando através dele.
Eu preciso que ele
Escreva aquilo
Que não consigo dizer,
Ou falar sobre isso...
Se falasse corria
O risco de ninguém me ouvir.
Através da poesia
Além de fazer reflectir,
As palavras falam por si.

Necessito do lápis
Para entrar
No meu outro mundo.
Assim posso libertar
O meu outro eu.
Ele é mais profundo,
Vive no fundo
Do meu coração.
Só aparece nos
Momentos de aflição.
O lápis nessas ocasiões
Torna-se o meu melhor amigo.
Leva-me para o meu abrigo.
Por causa da sua utilidade
Eu alcanço a minha liberdade.

Satisfaço a minha necessidade
Servindo-me da sua função.
Tenho sempre vontade de alcançar
Este meu único bem.
É sempre com satisfação
Que escrevo um poema.
Disponho de inspiração
Para pegar no lápis
E colar na folha de papel
Mais do que simples palavras.

Uso o lápis
Para não me esquecer
Da lição
Que aprendi.
Por saber
Que lhe saiu do coração
Eu o ouvi.
Quando ele me ensina
Muito me anima,
Sabendo que recupera
A minha auto estima.
O conselho que o lápis
Me dá,
«É que existe
Muita maldade.»
Por detrás do meu rosto triste
Ele encontra
A minha felicidade.

sexta-feira, outubro 06, 2006

O Poeta



Nasceu numa aula, em que eu escrevi um poema há quatro anos. Foi o seu primeiro poema, e desde esse dia ficou conhecido assim.
Essa alma mostrou a sua cara sem ninguém se aperceber, sendo ele o motivo das conversas naquela escola onde andou. Tantos agradecimentos, tantos parabéns recebeu desde que apareceu no Mundo.
É novo, apenas tem quatro anos, mas parece que já nasceu Poeta. Ele mora dentro de mim.
Desde que apareceu começou a questionar o Mundo, as coisas...
Esse Poeta deu-me os primeiros sinais naquela aldeia onde nos livros da escola começou a ler os primeiros poemas, não eram os dele, mas daí nasceu a paixão pela poesia.

Estrela cadente






Debaixo de um céu estrelado
Estava do teu lado.
Depois de te beijar
Te abracei
Te apertei
E vi passar
Uma estrela cadente.
Onde desejei
Que estivesses ali
Sempre presente.
Tu sabes que eu estou aqui
Bem à tua frente.

Foi essa estrela cadente
Que nos uniu.
Daquele cenário carente
Nenhum de nós saiu.
As brisas arrefeciam
Os nossos seres,
Mas aqueles beijos aqueciam
Os nossos corpos
De uma tal maneira
Que libertavam uma chama.
A chama do nosso amor.
Sou aquele que te ama,
Seja onde for.
Este sentimento é sincero,
Não quero
Que sintas alguma dor.
Nosso amor não vai acabar,
Por favor, ajuda-me a ignorar
Que isso venha a acontecer
Porque não te quero perder
Não te quero perder.

Sonhei com esta estrela cadente,
Mas felizmente
Tu estavas mesmo lá.
Só que agora não estás cá.
E desejo ver-te amanhã,
Logo pela manhã
Como num dia normal,
Por ser tão especial
Começar o dia assim.
Foste feita só para mim
Só para mim.

Essa estrela cadente nos uniu,
Assim meu coração é teu
E o teu é meu.
Ficaremos juntos até ao fim,
Por favor, diz-me que sim
Diz-me que sim.

terça-feira, outubro 03, 2006

Caminhas...





Caminhas,
e a solidão
te persegue.
O som do bater do teu coração
te segue,
quebrando o silêncio.
a cada passo,
aproximaste ainda mais desse vazio.
Tremes, sentes frio.
Mas encontras conforto
dentro de ti.
Já foram alguns
os passos que deste,
mas parece que te perdeste
nessa imensidão.
Será que é por causa
dessa solidão?
Não fazes nenhuma pausa
e continuas.
Algo insinuas
no teu caminhar.
Só queria lá estar,
para te libertar
daquilo que te faz sofrer,
que te faz estar só...
Gostava de saber o que sentes,
mas num sorriso parece que mentes,
porque sei que é imensa essa dor.
Não te dás assim tanto valor,
Por isso, foges pra bem longe
E sozinha caminhas...

sexta-feira, setembro 22, 2006

PRESA A UMA CADEIRA DE RODAS




É tão bom podermos caminhar,
Mas como se sentem as pessoas
Que estão presas a uma cadeira de rodas?
Não podendo deslocar-se
Fica ali sentada
A ver as pessoas
Que caminham
Sem dar importância
À liberdade que têm.
Depende tanto da cadeira
E neste país não há condições
Para essas pessoas
Terem uma certa autonomia.
Não basta estar presa
Como também não se pode movimentar,
Já que os difíceis acessos
Isto não permitem.

Até que em alguns passeios
Têm feito rampas,
Mas não satisfazem todas
As necessidades dessas pessoas
Em cadeiras de rodas.
Qual será a sensação
De não poder sentir as pernas
Que nos deslocam?
Já não podemos dar passos,
Correr,
Sermos livres.
As nossas pernas recusam-se
A obedecer.
Tudo no mundo se movimenta,
Cada coisa segue seu rumo,
Enquanto que continuamos
Ali sentados,
Quase por obrigação.
É normal que fiquemos tristes,
Revoltados,
Ou que achemos
Que não merecemos
Este castigo.

Depressa descobrimos
Que não vale a pena reclamar,
Porque o tempo continua a passar,
Mas ela não voltou a andar.
Fica ainda mais triste,
Por se lembrar
Que outrora tinha
Umas pernas fortes,
Mas que agora
Nem sequer
As pode sentir.

Existem pessoas que nascem
Com problemas motores,
Mas ela ficou assim
Sem ter culpa.
Numa tarde
Lá vinha ela do seu trabalho,
Cautelosamente pela estrada.
Muito depressa essa calma
Desapareceu,
Porque um carro contra o seu bateu.
Um carro que vinha em excesso
De velocidade
E fez uma ultrapassagem
Mal calculada.
Ela ficou encarcerada,
Foi um milagre não ter falecido.
Estava sentada
No automóvel
E sentada ficou,
Porque ele a liberdade
Lhe tirou.

Quando se apercebeu
Que não podia mexer
Os membros inferiores,
Ficou completamente aterrorizada,
Mas depois passou
Porque ela aceitou-se assim
E decidiu lutar
Contra essa anomalia,
Para sensibilizar,
Para mostrar
Que o mundo não acaba
Quando algo do género acontece,
Para as pessoas saberem
Que o que é preciso
É força de vontade
E para evitar que aconteça
Outra vez uma coisa semelhante.

Espero que reflictam
Ao fim de lerem,
Para que tomem alguma atitude.
Não se esqueçam de aproveitar
Bem a vida,
Mas que os outros também aproveitem.
E deixem aquelas preocupações de lado...

segunda-feira, setembro 18, 2006

Ver o dia clarear



Quero ver o dia clarear,
Imaginando o teu despertar.
Acordas com um sorriso no rosto,
Radioso como o sol de Agosto
E cintilante como uma estrela.
Quando te levantas, caminhas em passos
De lã...
Em segundos escassos,
Fazes da manhã
Uma fantasia,
Ao acordar pensei
Ter a tua companhia,
Mas foi apenas uma ilusão.
Ou uma partida
Desta solidão.

Ao ver o dia clarear,
Imagino-me do teu lado.
Poder presenciar
Um sorriso bem rasgado
Logo pela manhã.
Tão bom poder começar assim o dia.
Eu, tu e a tua alegria
Que tanto me contagia.
Um momento assim contigo é divino.
Não sei se o destino
Me vai apoiar,
Mas eu vou tentar
Viver um dia como este que imaginei.

Ao ver o dia clarear
Penso em ti
E pergunto-me
Por que não estás aqui?
Já há muito que a tua presença
Por mim é aguardada,
Mas não vejo a tua chegada.
É tanta a diferença
Que noto em todas as manhãs
Quando imagino-te comigo,
E quando me contradigo,
Por realmente não estar contigo.

Vejo o dia clarear
Vendo-te a acordar.
Mesmo estando só a fingir,
Sou capaz de ouvir
A tua respiração.
Sei que não sou eu
Que devo tomar essa decisão,
Mas por favor, pensa na nossa reconciliação.

Vejo o dia clarear
E penso em lutar.
Achas que devo?
Eu só escrevo
Este poema
Para te dizer
Que vou lutar por ti.
Somente, por ti...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Sonhei




Sonhei,
Que era um gatinho
E tu pegaste em mim
E fizeste-me um carinho.
Aconchegado no teu colo,
Ouvia o bater do teu coração.
A cada pulsação
Desejava que fosse eu a razão
Por ele bater com essa intensidade,
Mas não confiava nessa probalidade.

No teu colo sentia-me tão bem,
Era tão caloroso,
Um lugar precioso.
Só que quando acordei não vi ninguém,
Pena que já tinhas ido embora.
Esse gato dentro de mim chora,
Porque sente falta daquele conforto.

Quando pegaste em mim,
Olhaste-me nos olhos,
Fiquei envolvido por uma luz
Tão pura,
Para o paraíso me conduz
Por estar cheia de ternura.
Ao passares a mão por mim,
Eu parecia um gato tão mimado
Por miar calmamente,
Como se fosse uma melodia,
Suave e calma.

Fizeste companhia
Àquele gatinho
Que passava cada dia
Sempre, mas sempre sozinho.
Deste-lhe aquilo que ele mais precisava,
Que era um pouco de carinho.
Abrigaste-o no teu ninho,
De onde não queria sair.
Foi pena, mas tive de ir
Porque o sonho acabou,
E eu acordei...
Mesmo já não sendo aquele gato,
Preciso de ti.
Gritei teu nome,
Mas não te ouvi...

Preciso do carinho
Que deste àquele gatinho,
Que andava perdido
Até te ter encontrado.
Desde aí ficou sempre do teu lado.
«Tens alguma solução?».
Por favor, dá-me um pouco de atenção.
Parece que sonhei
Com cada verso que escrevi,
Mas acredita, adoro estar perto de ti.

segunda-feira, setembro 04, 2006





Avó,
Por que me deixaste
No meio desta solidão?
Onde agora és apenas
Uma recordação.
Claro que és mais do que isso,
Mas choro quando me lembro disso.
Partiste na longa viagem,
Deixando apenas ficar a tua imagem.
A imagem que marca a minha vida,
Mesmo sabendo da tua partida.
São nos momentos em que estou triste,
Que a minha solidão é possuída
Pela tua imagem, a de uma sábia avó.
Além de sábia,
Eras carinhosa,
Essa ternura parecia
A de uma mãe.
Tratavas sempre bem
Os teus netos,
Guiando-nos sempre
Pelos caminhos mais certos.
Desde que saíste de perto de nós,
Nos sentimos tão sós.
Eu encontro-te em cada verso,
Em que misteriosamente contigo converso.
O tom da sua voz
É que ligeiramente mingua,
Fazendo-me sentir falta da tua
Doce pessoa.
Dando-me a entender
Que calmamente de mim se afasta,
Ficando outra vez sozinho.
Adorava poder ter,
Nesta dor que me arrasta,
Ter de novo o teu carinho.
Nos tempos de meninice
Não havia vestígios de mesmice,
Porque habitava o teu terno Mundo,
Abrigando-me dos perigos que corria.
Vivia assim cada dia,
Rodeado de afecto, de amor
E de muitos miminhos.
Não eras dada a minúcias,
Já que nos enchias
Sempre de afecto e de amor.
Não davas nada pela metade,
Já sabias a quantidade
De que precisavas para nos sentirmos bem.
Avó, com lágrimas nos olhos eu te peço:
- Dá-me tudo outra vez.
Leva-me para teu Mundo.
Deixa-me sentir o que sentia...
Mas por favor, não me deixes sozinho.
Preciso de carinho.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A SAGRADA LUZ DO DIA













Hoje passei outra vez
Pela pessoa
Que repete vezes sem conta
Esta frase:
«A sagrada luz do dia.»
Fico com pena ao ouvi-lo, por saber
Que ele não a pode ver,
Porque ficou preso
Na escuridão,
Por alguma razão
Perdeu a sua visão.

A sua vida agora é sem cor,
Deve ser imensa a dor
Que sente dentro de si.
A tristeza por não enxergar
O sol que brilha
E alegra a nossa vida;
As andorinhas que voam
Pelo céu limpo,
Onde nos mostram
O quanto é bom ser livre.
Só que ele ficou prisioneiro
Da sua própria escuridão.
Não pode ser maior
A tua solidão.

Os dias para ele
São sempre iguais.
Não se apercebe
Das tantas transformações
Que sofre este Mundo.
Posso imaginar
O que é olhar
Para qualquer lado
E ver sempre
Uma paisagem fria e escura.
Tudo se desfigura,
Por ter perdido,
Por ter sido proibido
De ver
«A sagrada luz do dia.»

Sei porque é sagrada
A luz do dia,
Ele antigamente a via,
Mas agora não a vê.
O que parece normal,
Acordarmos e vermos o despertar
De cada manhã,
Para ele isso tornou-se sagrado.
Só que a sua vida
Não está mesmo de bom agrado,
Por ser também um mendigo.
Vocês imaginam o perigo
Por que ele passa,
Neste Mundo moderno,
Onde parece mais o Inferno!?

E sabem quais são as dificuldades
Que ele tem de ultrapassar,
Só para poder caminhar
Estando este Mundo
Cheio de obstáculos...
(Sabem?)
Se só DEUS sabe o que um mendigo
De verdade passa,
Então o que passará este?

Acreditem, gostava mesmo de o poder ajudar,
Mas infelizmente não posso!
E você, pode?
Se pode por que não faz nada?
De que lhe adianta a fortuna
Se não é usada
Para fazer o bem?
E para que quer tanto dinheiro
No seu mealheiro,
Se não precisa nem de metade?
Como é que se considera cristão,
Se não é capaz de ajudar um irmão?
Considera-se uma pessoa humilde,
Mas não conseguiu essa fortuna
Através da humildade.
Apesar das perguntas,
Já não quero respostas
Porque viraste as costas
Àquele homem
Que deixou de ver
«A sagrada luz do dia.»