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sexta-feira, setembro 22, 2006

PRESA A UMA CADEIRA DE RODAS




É tão bom podermos caminhar,
Mas como se sentem as pessoas
Que estão presas a uma cadeira de rodas?
Não podendo deslocar-se
Fica ali sentada
A ver as pessoas
Que caminham
Sem dar importância
À liberdade que têm.
Depende tanto da cadeira
E neste país não há condições
Para essas pessoas
Terem uma certa autonomia.
Não basta estar presa
Como também não se pode movimentar,
Já que os difíceis acessos
Isto não permitem.

Até que em alguns passeios
Têm feito rampas,
Mas não satisfazem todas
As necessidades dessas pessoas
Em cadeiras de rodas.
Qual será a sensação
De não poder sentir as pernas
Que nos deslocam?
Já não podemos dar passos,
Correr,
Sermos livres.
As nossas pernas recusam-se
A obedecer.
Tudo no mundo se movimenta,
Cada coisa segue seu rumo,
Enquanto que continuamos
Ali sentados,
Quase por obrigação.
É normal que fiquemos tristes,
Revoltados,
Ou que achemos
Que não merecemos
Este castigo.

Depressa descobrimos
Que não vale a pena reclamar,
Porque o tempo continua a passar,
Mas ela não voltou a andar.
Fica ainda mais triste,
Por se lembrar
Que outrora tinha
Umas pernas fortes,
Mas que agora
Nem sequer
As pode sentir.

Existem pessoas que nascem
Com problemas motores,
Mas ela ficou assim
Sem ter culpa.
Numa tarde
Lá vinha ela do seu trabalho,
Cautelosamente pela estrada.
Muito depressa essa calma
Desapareceu,
Porque um carro contra o seu bateu.
Um carro que vinha em excesso
De velocidade
E fez uma ultrapassagem
Mal calculada.
Ela ficou encarcerada,
Foi um milagre não ter falecido.
Estava sentada
No automóvel
E sentada ficou,
Porque ele a liberdade
Lhe tirou.

Quando se apercebeu
Que não podia mexer
Os membros inferiores,
Ficou completamente aterrorizada,
Mas depois passou
Porque ela aceitou-se assim
E decidiu lutar
Contra essa anomalia,
Para sensibilizar,
Para mostrar
Que o mundo não acaba
Quando algo do género acontece,
Para as pessoas saberem
Que o que é preciso
É força de vontade
E para evitar que aconteça
Outra vez uma coisa semelhante.

Espero que reflictam
Ao fim de lerem,
Para que tomem alguma atitude.
Não se esqueçam de aproveitar
Bem a vida,
Mas que os outros também aproveitem.
E deixem aquelas preocupações de lado...

segunda-feira, setembro 18, 2006

Ver o dia clarear



Quero ver o dia clarear,
Imaginando o teu despertar.
Acordas com um sorriso no rosto,
Radioso como o sol de Agosto
E cintilante como uma estrela.
Quando te levantas, caminhas em passos
De lã...
Em segundos escassos,
Fazes da manhã
Uma fantasia,
Ao acordar pensei
Ter a tua companhia,
Mas foi apenas uma ilusão.
Ou uma partida
Desta solidão.

Ao ver o dia clarear,
Imagino-me do teu lado.
Poder presenciar
Um sorriso bem rasgado
Logo pela manhã.
Tão bom poder começar assim o dia.
Eu, tu e a tua alegria
Que tanto me contagia.
Um momento assim contigo é divino.
Não sei se o destino
Me vai apoiar,
Mas eu vou tentar
Viver um dia como este que imaginei.

Ao ver o dia clarear
Penso em ti
E pergunto-me
Por que não estás aqui?
Já há muito que a tua presença
Por mim é aguardada,
Mas não vejo a tua chegada.
É tanta a diferença
Que noto em todas as manhãs
Quando imagino-te comigo,
E quando me contradigo,
Por realmente não estar contigo.

Vejo o dia clarear
Vendo-te a acordar.
Mesmo estando só a fingir,
Sou capaz de ouvir
A tua respiração.
Sei que não sou eu
Que devo tomar essa decisão,
Mas por favor, pensa na nossa reconciliação.

Vejo o dia clarear
E penso em lutar.
Achas que devo?
Eu só escrevo
Este poema
Para te dizer
Que vou lutar por ti.
Somente, por ti...

quinta-feira, setembro 07, 2006

Sonhei




Sonhei,
Que era um gatinho
E tu pegaste em mim
E fizeste-me um carinho.
Aconchegado no teu colo,
Ouvia o bater do teu coração.
A cada pulsação
Desejava que fosse eu a razão
Por ele bater com essa intensidade,
Mas não confiava nessa probalidade.

No teu colo sentia-me tão bem,
Era tão caloroso,
Um lugar precioso.
Só que quando acordei não vi ninguém,
Pena que já tinhas ido embora.
Esse gato dentro de mim chora,
Porque sente falta daquele conforto.

Quando pegaste em mim,
Olhaste-me nos olhos,
Fiquei envolvido por uma luz
Tão pura,
Para o paraíso me conduz
Por estar cheia de ternura.
Ao passares a mão por mim,
Eu parecia um gato tão mimado
Por miar calmamente,
Como se fosse uma melodia,
Suave e calma.

Fizeste companhia
Àquele gatinho
Que passava cada dia
Sempre, mas sempre sozinho.
Deste-lhe aquilo que ele mais precisava,
Que era um pouco de carinho.
Abrigaste-o no teu ninho,
De onde não queria sair.
Foi pena, mas tive de ir
Porque o sonho acabou,
E eu acordei...
Mesmo já não sendo aquele gato,
Preciso de ti.
Gritei teu nome,
Mas não te ouvi...

Preciso do carinho
Que deste àquele gatinho,
Que andava perdido
Até te ter encontrado.
Desde aí ficou sempre do teu lado.
«Tens alguma solução?».
Por favor, dá-me um pouco de atenção.
Parece que sonhei
Com cada verso que escrevi,
Mas acredita, adoro estar perto de ti.

segunda-feira, setembro 04, 2006





Avó,
Por que me deixaste
No meio desta solidão?
Onde agora és apenas
Uma recordação.
Claro que és mais do que isso,
Mas choro quando me lembro disso.
Partiste na longa viagem,
Deixando apenas ficar a tua imagem.
A imagem que marca a minha vida,
Mesmo sabendo da tua partida.
São nos momentos em que estou triste,
Que a minha solidão é possuída
Pela tua imagem, a de uma sábia avó.
Além de sábia,
Eras carinhosa,
Essa ternura parecia
A de uma mãe.
Tratavas sempre bem
Os teus netos,
Guiando-nos sempre
Pelos caminhos mais certos.
Desde que saíste de perto de nós,
Nos sentimos tão sós.
Eu encontro-te em cada verso,
Em que misteriosamente contigo converso.
O tom da sua voz
É que ligeiramente mingua,
Fazendo-me sentir falta da tua
Doce pessoa.
Dando-me a entender
Que calmamente de mim se afasta,
Ficando outra vez sozinho.
Adorava poder ter,
Nesta dor que me arrasta,
Ter de novo o teu carinho.
Nos tempos de meninice
Não havia vestígios de mesmice,
Porque habitava o teu terno Mundo,
Abrigando-me dos perigos que corria.
Vivia assim cada dia,
Rodeado de afecto, de amor
E de muitos miminhos.
Não eras dada a minúcias,
Já que nos enchias
Sempre de afecto e de amor.
Não davas nada pela metade,
Já sabias a quantidade
De que precisavas para nos sentirmos bem.
Avó, com lágrimas nos olhos eu te peço:
- Dá-me tudo outra vez.
Leva-me para teu Mundo.
Deixa-me sentir o que sentia...
Mas por favor, não me deixes sozinho.
Preciso de carinho.

quarta-feira, agosto 30, 2006

A SAGRADA LUZ DO DIA













Hoje passei outra vez
Pela pessoa
Que repete vezes sem conta
Esta frase:
«A sagrada luz do dia.»
Fico com pena ao ouvi-lo, por saber
Que ele não a pode ver,
Porque ficou preso
Na escuridão,
Por alguma razão
Perdeu a sua visão.

A sua vida agora é sem cor,
Deve ser imensa a dor
Que sente dentro de si.
A tristeza por não enxergar
O sol que brilha
E alegra a nossa vida;
As andorinhas que voam
Pelo céu limpo,
Onde nos mostram
O quanto é bom ser livre.
Só que ele ficou prisioneiro
Da sua própria escuridão.
Não pode ser maior
A tua solidão.

Os dias para ele
São sempre iguais.
Não se apercebe
Das tantas transformações
Que sofre este Mundo.
Posso imaginar
O que é olhar
Para qualquer lado
E ver sempre
Uma paisagem fria e escura.
Tudo se desfigura,
Por ter perdido,
Por ter sido proibido
De ver
«A sagrada luz do dia.»

Sei porque é sagrada
A luz do dia,
Ele antigamente a via,
Mas agora não a vê.
O que parece normal,
Acordarmos e vermos o despertar
De cada manhã,
Para ele isso tornou-se sagrado.
Só que a sua vida
Não está mesmo de bom agrado,
Por ser também um mendigo.
Vocês imaginam o perigo
Por que ele passa,
Neste Mundo moderno,
Onde parece mais o Inferno!?

E sabem quais são as dificuldades
Que ele tem de ultrapassar,
Só para poder caminhar
Estando este Mundo
Cheio de obstáculos...
(Sabem?)
Se só DEUS sabe o que um mendigo
De verdade passa,
Então o que passará este?

Acreditem, gostava mesmo de o poder ajudar,
Mas infelizmente não posso!
E você, pode?
Se pode por que não faz nada?
De que lhe adianta a fortuna
Se não é usada
Para fazer o bem?
E para que quer tanto dinheiro
No seu mealheiro,
Se não precisa nem de metade?
Como é que se considera cristão,
Se não é capaz de ajudar um irmão?
Considera-se uma pessoa humilde,
Mas não conseguiu essa fortuna
Através da humildade.
Apesar das perguntas,
Já não quero respostas
Porque viraste as costas
Àquele homem
Que deixou de ver
«A sagrada luz do dia.»

Com um pincel




Com um pincel pinto o amor
De amarelo, por causa de um beijo de calor.

Pinto as nuvens de vermelho,
Para ver o reflexo do amor num espelho.

Vejo algum sangue nessas gotas,
Por haverem tristezas espalhadas...

Tu pincel, minhas mágoas esgotas,
Deixas-me com saudades apartadas.

Com um pincel pinto as montanhas,
Pinto nelas flores em forma de corações.

Sinto no coração essas razões,
Faço promessas tamanhas...

Com um pincel desenho
No meu sonho, outro mundo.

Este infelizmente está tão inundo...
Por lá, eu sempre me mantenho...

Com um pincel desenho o futuro,
Vejo um mundo muito mais puro.

Tristezas, injustiças, e outras coisas dolorosas,
Morreram com uma infelicidade desditosa.

Com um pincel,
Espalho pela vida, um pouco de mel...

Desabafos de um poeta


Depois de uma discussão
Familiar, refugiei-me no meu quarto.
Como não tinha culpa pela confusão,
Dentro dele, à procura de par eu parto.
É nele, que eu reflicto sobre acontecimentos,
Alivio meus tormentos,
Liberto agonizantes sentimentos,
Procuro felicidade, nos meus pensamentos.

Mas por vezes isso não resulta,
Acho que, é por não ser o suficiente.
Não estou nessa conclusão muito ciente.
Faço do silêncio minha multa,
Por fugir nesses momentos.
Nisso sinto falta dos meus alentos.

Nesse silêncio procuro respostas,
Com as lágrimas, de lado elas ficam postas.
Vejo assim horas mortas,
Minhas perguntas fecham-me as portas.

Tão triste e perdido,
Crio na escuridão alguém pra conversar.
Essas angustias poder desabafar,
Isto acho que não faz sentido.

Disso não tenho nenhuma certeza,
Só vejo como minha companhia, a incerteza.
Muito triste viver assim,
Ninguém tem uma solução para mim?
Sem ninguém para conversar,
Assim este poema vou terminar.
Essa dúvida vai continuar,
Sozinho sempre irei ficar...

segunda-feira, agosto 21, 2006

ABANDONO
















Olhando para o lago,
Vejo o rosto de uma criança abandonada.
A tristeza no seu olhar,
A saudade que sente
Dos pais que nem sequer conheceu.
Sei que esta criança não escolheu
Os pais que teve,
Mas mesmo assim
Imagina-se ao lado deles.
Essa criança não sou eu,
Mas sou eu
Que escrevo este poema
Para sensibilizar
Os casais jovens,
Que se for para abandonar
Mais vale não ter.
Sei que podem abortar,
Mas contra o aborto eu sou,
Porque Deus nos criou.
Como Deus nos criou,
Devem criar o vosso filho!
Se a semente está dentro da barriga,
Já é uma vida,
Por isso ao abortar
Estão a impedir
O nascimento de um ser,
E sabem o que isto quer dizer?
Desculpem-me por usar as expressão,
Mas estão a ser assassinos.
Posso ser condenado por isto,
Porque arranjam sempre uma desculpa
Para porem a culpa
No ser que por aí vem.
Mas culpa ele não tem
De ser já uma semente...
Sei que esta é a minha opinião,
Mas esta não é propriamente a razão
Que me leva a escrever este poema.
O verdadeiro porquê,
É por saber que um recém-nascido
É completamente indefeso.
Não sabe como reagir,
Já que facilmente
Os pais podem fugir.
Claro, mais cedo, ou mais tarde
Esse abandono o irá ferir.
Deve ser ruim para ele,
Acordar no ceio de uma família
Sabendo que não é a dele,
Já imaginaram isto?
Ele até teve sorte de encontrar
Uma nova família.
Mas, e aqueles que vivem em instituições
Como será a vida,
E o que sentirão eles de verdade?
Quando forem, digamos, jovens,
Como reagirão sabendo
Que foram abandonados?
Não me respondam que lhes mentem,
Que nunca lhes disseram
Que foram abandonados pelos seus pais,
Porque cada pessoa merece saber qualquer verdade.
Deve ser doloroso
Saber que foram abandonados
Pelas pessoas que lhes deram a vida.
Para mim a relação
Dos pais para com o seu filho,
É algo lindo, mágico, divinal,
A melhor coisa que Deus nos deu...
Não acham?
Será que há alguma razão,
Para o porquê desta relação?
E por favor, não quebrem este ligação...
Prometem?...

sexta-feira, agosto 18, 2006

TRISTE PAISAGEM











Depois de as chamas
Devorarem hectares de floresta,
A chuva refresca
O pouco que resta,
Após a passagem do Inferno.
Cada gota de um jeito terno,
Molha as árvores carbonizadas.
Entre a vida e a morte,
Por terem sido abraçadas,
Por um fogo impiedoso.
Não tiveram sorte!
Estando um dia ventoso,
O rumo do incêndio era imprevisível,
Mas esta triste paisagem
É bem visível.
Uma paisagem completamente morta,
Onde nenhuma semente agora brota.

A água escorre pelos troncos
Quando chega ao solo,
Nada lhe serve de consolo,
Porque as árvores queimadas
São as cicatrizes
Desta triste paisagem.
«Quem é que pode tirar
Alguma vantagem,
Destruindo a nossa mina de oxigénio?»

(Quem? Posso saber?)
As gotas salgadas que caem no chão,
São as marcas do sofrer
De cada população.
Vejo tantas feridas
Nos escombros daquela habitação.
Algumas vidas,
Também ficaram
Nesta triste paisagem.
A imagem negra,
É a camuflagem
Que esconde os números
Dos hectares ardidos.


A água no seu percurso,
Faz a limpeza
De cada monte.
Em cada curso,
Solta-se a tristeza
Por ver o que restou
Depois de um grande incêndio.
Quase nada ficou,
O fogo extinguiu por completo
Aquela fonte de oxigénio.
Custa a muita gente
Ver um cenário como este,
Mas é este o cenário
Da triste paisagem.
Mesmo que tenha sido um acidente,
Nada lhe trará o seu doce lar
De volta,
Por mais que alguém lamente,
E o incendiário
Anda por algures à solta.

É muito triste a paisagem
Que fica depois de um incêndio.
O que era um espaço verdejante,
Vira cinzas num instante.
São poucos os segundos,
Que o fogo precisa
Para devorar esse espaço verde.
Torna-se o rosto
Do mês de Agosto,
A triste paisagem...

Falam-se em medidas
Ao longo do ano,
Mas parece que ficam esquecidas
Em algum lugar.
De nada podem valer,
Àquele bombeiro
Que acabou de sacrificar
A sua vida
Para combater um fogo posto.
E repete-se a história do mês de Agosto...

sexta-feira, agosto 11, 2006

“Tudo o que sou”














Tudo o que sou
Está dentro do meu coração,
Reflecte-se em cada poema
Promovendo a invocação
Do meu verdadeiro eu.
Exprimindo a faceta
Deste insignificante ser,
Que só por detrás duma caneta
Consegue viver.
Vivo camuflado,
Como se fosse a incógnita
De um mau resultado,
Mas que consegue encontrar a solução
Por ter mais que uma personalidade.
Não sou uma desilusão,
Apenas escondo-me
Desta crueldade,
Desta inóspita realidade.

Tudo o que sou
Resume-se a uma caneta,
A um lápis,
A uma borracha
E a uma folha de papel.
A caneta e o lápis, passam para a folha
Tudo aquilo que circula
Pela minha alma.
(Tristezas, desilusões, visões,
Pensamentos, opiniões
E tanta discordância
Desta vida injusta,
Onde viver só me custa).
Cabe à borracha
Apagar todos estes males.
Amor,
De pouco me vales,
Apesar de seres tão forte,
Mas falta-me a sorte.

Tudo o que sou
É passado para um poema.
Deve ser estranho,
Mas uma caneta
Consegue escrever versos
No meu coração.
Pena que por vezes aumentam
A minha dor,
Sendo tão triste a minha poesia.
Claro que todos os poemas
Para mim têm valor,
Porque são as linhas
Que construíram
A vida deste poeta.

Tudo o que sou
Encontras em cada
«Fruto da minha solidão.»
Foi por isso que amadureci
E agora ando por aqui
Sem compreender
Este Mundo
Que só me faz sofrer.

Tudo o que sou
Não dá para escrever...
(Sou mesmo tudo,
Ou não sou nada?)
Se alguém me responder,
Que faça primeiro esta pergunta:
«O que somos nós?»

segunda-feira, agosto 07, 2006

Quero voar





Devolve-me as asas
E deixa-me voar,
Porque não quiseste abrigar
Este amor que senti.
Tu mesma disseste que eu já saí
De dentro de ti,
Por isso, quero voar
Não me faças chorar.

Todo este tempo passei
À espera de um sinal,
Mas quando as asas deixei
E me entreguei,
Faltou o essencial...
Não houve correspondência
Entre a nossa vivência.
Faltou desejo,
Faltou amor...
Nem o beijo
Tinha sabor.

Não sabes o quanto é triste
Viver ao lado de uma pessoa
Que me magoa.
Amor entre nós não existe,
Onde não me soa
A tua voz que encoa
A sinceridade ausente.
Esta dor não é recente,
Porque não confio
Numa pessoa
Que deixou meu coração vazio.

Devo ser teu prisioneiro,
Devo estar preso numa gaiola.
Teu amor é como uma esmola,
Mas teu ser me cobra
O tempo inteiro.
Estou preso
Apesar de não estares presente.
Não sairei ileso,
Se quebrar esta corrente
Que me prende.
A barreira impede a minha fuga,
Mas pára com isto!
Sim, eu desisto...
Sinto ciúmes
Cada vez que cheiro
Teu perfume
Em outro corpo.

Quero voar,
Voar atrás de ti.
Quero-te encontrar,
Porque agora percebi
O significado do que escrevi.
E tu, percebeste?

sexta-feira, agosto 04, 2006

Folha de papel



Em ti escrevo cada poema
Como se cada um
Fosse a página de um diário.
Num indigente vocabulário
Liberto a minha dor.
Falo-te da minha falta de sorte
No amor,
De como sofro por sonhar...
Sonho tanto
Deixando minha alma de pranto,
Só para me esconder
E assim não sofrer.

Alivio as minhas frustrações,
Já que são tantas as decepções.
Acontece tudo ao mesmo tempo!
Passo para ti os meus problemas.
Eu sei que os devia resolver
E desculpa por te envolver,
Mas preciso de desabafar.
Não sei o que eles vão causar,
Mas dentro de mim
Não podem permanecer.
Ainda acabava por adoecer,
Se não libertasse
Aquilo que me magoa agora.

Sinto que meu ser chora,
Só que nenhuma lágrima sai,
Nenhuma cai
Em cima de ti.
Talvez aí
Me deixarias escrever,
Sem me dar a entender
Que eu não tenho motivos para sofrer.

Quero tanto amar
E vejo aquele que traiu
Ao lado de outro alguém,
Mas eu que quero amar
Continuo sem ninguém.
Também vejo aquele que magoou,
Outro amor encontrou.
Por mais que magoe,
Encontra sempre um abrigo,
Mas que se passa comigo
Que só quero amar,
Mas fico sozinho a chorar?

Deve ser o seu perfil garboso
Que o torna superior a mim.
Ele consegue tudo com facilidade,
Apesar de tanta falsidade.
Eu que sou sincero,
Eternamente por uma chance espero.
Choro por não saber que fazer,
Será que me podes dizer?

Folha, tu ouves-me,
Mas não dizes nada.
A minha dor fica em ti registada,
Por uma borracha
Pode ser apagada.
Por que não posso apagar
O sofrimento que me deixa triste?
Acreditem que não sei.
Desta forma,
Assim deixei
Mais um desabafo meu...

quarta-feira, agosto 02, 2006

LAGO

Foram tantas as vezes
Que me viste
E ouviste
Chorar,
Por causa desta tormentosa solidão.
Este é mais um dia assim,
Um dia em que não estou afim
De fazer nada.
Por mais vontade que tenha,
A minha voz está calada,
Porque meu sofrimento é mudo.
Tinha vontade de desaparecer
E aqui vim ter.
Precisava de desabafar contigo
Minha dor.
És meu único amigo,
Por favor,
«Fala comigo.»
Traz-me a paz que preciso.
Se te confundir com o paraíso,
Não me tragas essas recordações
Que escondem as minhas desilusões.
Deixa-me estar nesta margem.
Sei que é péssima a minha imagem,
Por estar tão triste,
Mas esta é a única pessoa que existe
Dentro de mim...

sábado, julho 29, 2006

"A palavra coração..."


Repete-se em todas
As músicas românticas
Exprimindo amor,
Ou até dor.
Normalmente é usada
Quando aquele alguém
Não quer mais nada,
E acabamos perdidos
Na desvela solidão.

Nosso coração quebra,
Feito um copo de cristal.
Cada pedacinho é o símbolo
Desse sortilégio
Malfeitor,
Que se impôs, sendo régio
O domínio desse amor.
Provoca assim um desaparecimento
Moroso,
Devido à desventura
Que guardou a imagem
Daquele lindo sentimento.

Depois do tal rompimento,
Vem um brioso sofrimento.
Generoso, porque fecha uma porta,
Mas abre uma janela.
Depressa vemos que a vida
É bela.
(Acham que estou a mentir?)

«Claro que sim,
Basta olhar para mim.
Sofro ainda as amarguras
De um amor inesquecível.
Foram inúmeras as janelas
Que se abriram,
Mas nenhuma delas
Me impediu,
De amar essa pessoa
Que há muito partiu.»

«Meu coração
Deixou de bater.
O sofrimento é tanto
Que não tenho razões
Pra viver.»

Deixou de bater,
No dia em que ela foi.
Deixei de ser o Herói,
Que a salvava sempre
Que estava triste.
Livrava-a dos perigos,
Da tristeza que no amor
Apoquenta o coração.

quarta-feira, julho 26, 2006

"O que somos"










Chamam-nos gentes,
Seres Humanos,
Animais racionais,
Seres que pensam,
Que têm moral.
(Há também a teoria
Que nem todos
Somos pessoas).

Somos as gentes
Que mata outra gentes,
Só para obter
Simples tostões.
Gentes que vê nos cifrões
Um objecto de cobiça.
Cobiça esta, que trás
O Inferno à Terra.
Gentes que originaram
Tantas Guerras,
Que terminaram
Em centenas de carcaças.
Carcaças que libertavam
Um odor desolador.
No meio disso o pavor
Entranhava-se nas almas
Dessas gentes.
Das vitimas,
E dos agressores.

«Mas o que somos
No meio de seres,
Vistos como animais?»

Passamos a ser irracionais,
Com esses actos de um
Autentico animal.
Sendo o mal
O seu único ideal.
Crianças violadas,
Filhos explorados
Como se fossem
Mulheres da vida.
Que pensamentos
Pode ter um ser assim?
Um ser assim
Não pensa,
Apenas age.

Com teimosia
E com ousadia,
Eu pergunto:
«Afinal, o que somos
No meio de actos
Mais sôfregos do que
Os de um animal?»
São tão cruéis!

Temos a mania de dar
Lições de moral,
Mas um animal
Que moral pode ter,
Para poder
Dar alguma?

quarta-feira, junho 14, 2006

"Pomba Branca"



Pelo céu reluzente,
Voas deslizando
Por entre o vento.
Num voo plano,
Atinges uma velocidade
Impossível de alcançar.

«Pomba Branca»
Voas atrás
De algo indispensável.
Sendo o teu símbolo
A paz.
Procuras através do céu
A calma que representas.

Quando passas és vista
Como um sonho,
Sendo uma causa idealista
Aquela que queres passar.
Bem que tentas tornar
O mundo mais calmo,
Mas parece em vão!

Ao olhares para baixo,
A tua causa se recolhe,
Porque são muitas as evidências
Que comprovam
O contraste com que se defronta
A racionalidade da tua essência.

Mas qual é a diferença
Entre o que simbolizas,
E o que vês cá em baixo?
Foi num voo razante,
Que viste quais são
As diferenças,
Sendo uma visão de dor.

«Angustias, libertavam medos.
Dores, originavam ferozes ruídos.
Corpos, davam origem a um
Cemitério a céu aberto.
Bombas, mutilavam corações.
Sangue, levava nele
Impetuoso cenário.
Balas, penetravam na mente,
Quebrando a ligação
Com a vida...»

É assim descrito
O contraste,
A que te referes.
Ficaste aterrorizada
Com tamanha barbaridade,
Com tão sanguinário
Que foi o período
Em que desceste.

«Pomba Branca»,
Para onde vais tu agora?
Sem me responderes,
Vejo-te a ir embora,
Desaparecendo
No infinito.

sábado, junho 03, 2006

"Liberdade, um direito"


A mulher,
Aquele ser indefeso,
Mas que por alguns anos
Se manteve preso.
Onde os homens abusavam,
Os seus direitos negavam.
Recusavam
Até o seu estatuto
De liberdade.
Mas passado,
Um certo tempo.
A chave abriu a grade.
Uma chave em forma de protesto,
Onde esse manifesto
Hierarquizou os seus direitos.
Mas os actos imperfeitos
De violência,
Escandalizam hoje em dia.
Da sua inocência,
O Homem obtém a sua sabedoria.
Aquilo que me entristece,
É saber que ela
Em alguns países ainda padece.
Infelizmente isto acontece,
Nem sei se isto vai mudar.
Sei que ela não vai parar de lutar,
Sei que desta prisão,
Um dia há-de se libertar.

quinta-feira, maio 25, 2006

"Uma curta passagem"

Tão curta é,
Que nem sequer
Chegamos a desfrutar
Devidamente do espaço que nos rodeia.
Sei que vivemos cada dia,
Sem pensarmos
Na curta passagem
Que é a vida.

Simplesmente desfrutamos de cada dia,
Como se fosse o último.
Talvez por obstinação
Do destino,
Ainda acabamos por viver
Durante mais um tempo.
Com isso viramos a presa,
Da própria morte.
Mesmo não sendo licito
Esse rompimento
Com os outros mortais.

(A vida consegue obsequiar
A mãe com outro ser,
Mas mesmo assim,
Ela vai sempre obstar,
Mostrando que este não conseguiu
Substituir o outro filho que partiu.
Foi num tempo ocasional,
Que apoderou-se dele aquele mal).

A nossa estadia neste mundo,
É mesmo uma curta passagem
Que oculta o dia do nosso fim.
Deixando-nos viver
Como prisioneiros
De uma doença sem cura.
Sem que alguém possa
Desvendar quando será o dia exacto
Para partirmos.
Deixarmos de caminhar secretamente,
Pela libertação de cada alma.

«A vida pode ser mesmo curta,
Por isso, preocupa-te mais
Em preservar a união
Entre cada povo;
Em salvaguardar a vida do próximo,
Do que passares os dias
A tecer o teu império.»

Como a vida é curta,
Ainda partes antes de o teres tecido,
E nem sequer desfrutaste
Da oportunidade que te deram.
«Ajuda a prolongar a passagem,
Daquele pobre ser.
Preservando a mensagem,
Deste poema que acabei de escrever.»

quarta-feira, maio 17, 2006

"Salvação ou condenação"


O homem na sua caminhada
Mostra sinais de ser devoto
Da religião cristã.
A fé, assim, é espalhada
Por mais um voto,
Em cada Domingo de manhã.

É nas horas mais angustiantes,
Nos dias mais distantes,
Que se vê obrigado
A apelar a Deus.
Que antes fora por ele renegado.
Nesses momentos
A sua fé
Atravessa a profanação,
Visualizando acontecimentos
Dos quais, crente agora é.

Sendo corrompido pelo desespero,
Apela ao sentimento
Que até então
Se mantinha severo
Em relação a esse comportamento.
Suplica a Deus Pai
Todo Poderoso,
Onde a descrença já lá vai.
Provando o quanto precioso
Chega a ser,
Com esse milagre que a fez acordar
Depois de um choque frontal.
Deixou assim uma esperança se erguer,
Com a prece que a conseguiu libertar
Daquele bendito mal.
Viu em Deus a salvação,
Através da milagrosa devoção.

É preciso uma situação
Como esta,
Para ele acreditar na sua religião.
Desta forma se manifesta,
A verdadeira crença.

Pena que, por vezes, o ser humano,
Perde-se por um outro plano
E cai na tentação.
Não na tentação da carne,
Mas sim, no aproveitamento
E no engrandecimento
Dos seus bens materiais.
O que é terreno,
Vira o seu próprio veneno,
Levando-o às portas do Inferno.
Deixa de acreditar no Amor Paterno,
Não vendo o lado divino.
Deixando nas mãos de Deus,
O seu destino.

Neste caso o que é mais certo,
A salvação
Ou a condenação?

«Materialmente, a salvação,
Espiritualmente, a condenação,
Porque os bens materiais
Não o livram do pecado.»

sábado, maio 13, 2006

"O Poeta"



«O poeta não é aquele que escreve,
Mas sim, aquele que sente.»

Cada verso escrito,
Onde o sentimento fica restrito
Nas palavras que manifestam
O seu interior.
Só que, por vezes, se infestam
De sofrimento. De angustias. De dor.
E o poema vira o fruto
Dessa tristeza sentida no exterior
Por quem lê.
Esses versos que despertam
Sensações misteriosas
Nas pessoas que lêem.
Mas às vezes libertam
Ilusões dolorosas,
Que se sentem, mas não se vêem.

É aquele que sente,
Porque um poema fala por si
Quando é lido com calma.
No momento em que está diante de ti,
A sua interpretação
De uma certa forma acalma,
Aquela ânsia que se manifesta
Através da citação
Daquela incompreensão infesta.
Aquilo que um verso
Chega a induzir,
Torna-se o inverso
Daquilo que chegas a sentir.
No silêncio o poema
Ganha vida,
Encontrando no tema
A voz da partida.

É aquele que sente
Algo, do qual jamais
Alguém conseguirá inibir.
Em si estão presentes,
Os ideais
Que se contrapõem
Às diversas situações embaraçosas.
Por serem manhosas
As suas excêntricas visões.
«Mas o poeta não vive só de ilusões!»

É aquele cavaleiro andante,
Solitário,
Mas puro diletante
Da sua poesia.
Cada poema é o puzzle de um diário,
No qual se codifica a mensagem,
Por entre cada verso.
Só que a focagem
Feita pelo leitor,
Perde-se num sentimento controverso
Àquele que ele sentia.
Tonando-se o recriador,
A um nível sintético,
E também estético.

«Poeta é aquilo que sei ser.
De outra maneira,
Não me conseguiria ver.
Isto não é brincadeira,
Porque é só ao escrever,
Que posso renascer.»